Administrar um restaurante no Brasil nunca foi uma tarefa simples. Entre controle de estoque, gestão de equipe, precificação, delivery, taxas de aplicativos e margens cada vez mais apertadas, o empreendedor do setor alimentício precisa tomar decisões estratégicas o tempo todo.
A partir de 2026, mais um fator entra com força nessa equação: a mudança no sistema tributário brasileiro.
Com a implementação gradual da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), a forma como os impostos incidem sobre produtos e serviços vai mudar.
Neste artigo, você vai entender o que muda com a Reforma Tributária, como ela afeta diretamente os restaurantes e por que 2026 é o momento certo para reavaliar o regime tributário do seu negócio. Vamos lá?!
O que você vai aprender nesse conteúdo:
ToggleO que muda no sistema tributário a partir de 2026
A Reforma Tributária aprovada estabelece uma transformação gradual no modelo de arrecadação de impostos sobre consumo no Brasil. Em vez de diversos tributos com regras distintas, teremos dois impostos principais:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): substitui PIS e Cofins (federal).
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): substitui ICMS (estadual) e ISS (municipal).
A transição começa em 2026, com um período de convivência entre os tributos antigos e os novos, e se estende até 2033, quando o novo sistema estará completamente implementado.
O grande objetivo da reforma é simplificar, mas isso não significa automaticamente redução de carga tributária, especialmente para setores como alimentação fora do lar.
Por que a Reforma Tributária impacta diretamente os restaurantes
Restaurantes estão no cruzamento entre comércio e serviço, o que sempre gerou dúvidas tributárias. Com a reforma, esse enquadramento deixa de existir, mas surgem novos desafios.
Entre os principais impactos, destacam-se:
- Tributação no destino (local do consumo).
- Sistema de créditos e débitos mais rigoroso.
- Possível aumento da carga tributária efetiva.
- Mudanças na formação de preços.
- Revisão de contratos com fornecedores e aplicativos de delivery.
Negócios que operam com margens reduzidas, como restaurantes, precisam entender esses pontos com antecedência para evitar surpresas.
O fim da cumulatividade e o novo modelo de créditos
Um dos pilares da CBS e do IBS é a não cumulatividade plena. Ou seja, o empresário poderá se creditar dos impostos pagos em toda a cadeia produtiva.
Na prática, porém, surgem dúvidas importantes para restaurantes:
- Todos os insumos gerarão crédito?
- Bebidas, carnes, embalagens e gás entram?
- E os serviços como marketing, contabilidade e delivery?
A resposta depende da regulamentação e do modelo de operação. Os restaurantes que não organizarem bem suas notas fiscais e fornecedores podem perder créditos importantes, pagando mais imposto do que deveriam.
O Simples Nacional ainda será uma boa opção para restaurantes?
Hoje, muitos restaurantes estão enquadrados no Simples Nacional, principalmente nos anexos I ou II. Porém, com a Reforma Tributária, esse regime passa a exigir uma análise mais cuidadosa.
Pontos de atenção:
- Empresas no Simples não se creditam da CBS e do IBS.
- Clientes pessoa jurídica podem preferir fornecedores fora do Simples.
- A carga tributária efetiva pode se tornar maior dependendo do faturamento.
Para os restaurantes que faturam próximo ao teto ou estão em crescimento, permanecer no Simples pode deixar de ser a melhor escolha a partir de 2026.
Lucro Presumido: uma alternativa estratégica
O Lucro Presumido pode ganhar protagonismo no novo cenário tributário, especialmente para restaurantes com boa margem e organização financeira.
Tendo um aproveitamento de créditos de CBS e IBS, maior transparência tributária, melhor posicionamento para contratos B2B e a possibilidade de um planejamento tributário mais eficiente.
No entanto, o Lucro Presumido exige controle rigoroso, emissão correta de notas e acompanhamento contábil especializado.
O Lucro Real faz sentido para os restaurantes?
Embora menos comum no setor, o Lucro Real pode ser vantajoso para restaurantes que apresentem margens apertadas, alto volume de despesas dedutíveis, crescimento acelerado e operações mais complexas (dark kitchens, franquias, múltiplas unidades).
Mas, com a nova lógica de créditos da CBS e do IBS, o Lucro Real passa a ser uma opção estratégica para negócios mais estruturados.
Entenda como a Reforma Tributária afeta os preços do cardápio
A tributação impacta diretamente o preço final dos pratos. Com alíquotas estimadas mais altas no consumo, muitos negócios precisarão:
- recalcular o CMV (Custo da Mercadoria Vendida);
- rever combos e promoções;
- ajustar preços no delivery;
- reavaliar margem por produto.
Estabelecimentos que não fizerem esse trabalho podem acabar absorvendo o aumento de imposto, reduzindo drasticamente a lucratividade.
A importância do Planejamento Tributário antecipado
Esperar 2026 chegar para pensar em impostos é um erro comum, e caro.
O planejamento tributário deve começar agora para simular cenários em diferentes regimes, avaliar impacto no fluxo de caixa, preparar o sistema de emissão fiscal, treinar equipe administrativa e evitar autuações e inconsistências fiscais.
Os restaurantes que se antecipam têm mais poder de decisão e menos riscos.
Restaurantes que crescem precisam pensar como empresa
A Reforma Tributária reforça uma realidade, considerando que os restaurantes que querem crescer precisam se enxergar como empresas estruturadas, não apenas como cozinhas criativas.
Isso significa:
- Planejamento financeiro contínuo.
- Gestão tributária estratégica.
- Decisões baseadas em dados.
- Acompanhamento profissional constante.
Portanto, quem não se adaptar corre o risco de ficar para trás.
Quem planeja o imposto, protege o lucro
A Reforma Tributária que começa em 2026 não é apenas uma mudança na legislação, é um divisor de águas para negócios como restaurantes.
Reavaliar o regime tributário deixou de ser uma escolha e se tornou uma necessidade estratégica.
Com um sistema tributário mais técnico, contar com uma contabilidade especializada em food service deixa de ser opcional. Isso porque as ferramentas de gestão integradas podem ajudar a:
- controlar estoque com precisão;
- registrar insumos corretamente;
- separar custos e despesas;
- identificar créditos tributários;
- projetar crescimento com segurança.
Seja no Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real, a decisão certa depende de análise, planejamento e visão de futuro.
Quem entende o impacto dos impostos sobre preços, margem e crescimento sai na frente.
Em um mercado cada vez mais competitivo, não é o prato mais barato que vence, mas o negócio mais bem estruturado. E tudo começa por uma gestão tributária inteligente.Esperamos que este conteúdo tenha sido esclarecedor. Para mais assuntos semelhantes, acesse nosso Blog. Caso precise de ajuda, clique aqui e fale com nosso time de especialistas agora mesmo!.

