Gerenciar um restaurante é um grande desafio. Além da concorrência acirrada e das exigências do consumidor, um dos maiores pesadelos dos empreendedores do ramo alimentício é a alta carga tributária.
Além disso, em abril deste ano (2025), a receita real dos serviços de alimentação teve um aumento de 5,3% no Brasil, sendo o 18º mês de alta consecutiva, quando comparado com abril do ano passado (2024), segundo a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE.
Mas, mesmo com aumentos consideráveis na economia, os donos de restaurantes podem estar pagando mais impostos do que deveriam simplesmente por não conhecerem estratégias legais de planejamento tributário. A boa notícia é que é possível reduzir os tributos de forma totalmente legal, respeitando as normas fiscais e aumentando a margem de lucro do negócio.
Neste artigo, vamos mostrar como o seu restaurante pode pagar menos impostos sem infringir nenhuma lei por meio de ações estratégicas, conhecimento sobre os regimes tributários, uso da tecnologia e organização contábil. Se você deseja ter um negócio mais sustentável e lucrativo, continue acompanhando este conteúdo
O que você vai aprender nesse conteúdo:
ToggleEntenda os principais impostos que incidem sobre restaurantes
Antes de pensar na redução dos tributos, é essencial conhecer quais são os impostos cobrados de um restaurante. São eles:
- PIS – Programa de Integração Social;
- COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social;
- IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica;
- CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido;
- ISS – Imposto Sobre Serviços;
- ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (especialmente se houver delivery ou venda de alimentos industrializados);
- INSS patronal – sobre a folha de pagamento dos funcionários.
É importante ressaltar que existem taxas municipais, estaduais e eventuais contribuições como o Simples Nacional ou regimes de Lucro Presumido/Lucro Real.
Escolha o regime tributário mais adequado
Um erro comum no setor alimentício é não revisar o regime tributário da empresa. Muitas vezes, o restaurante permanece no Simples Nacional por comodidade, mesmo que esse não seja o mais vantajoso.
Simples Nacional
O Simples Nacional é um regime unificado e simplificado que pode ser vantajoso para pequenos estabelecimentos com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. O imposto é calculado com base em um percentual do faturamento bruto, que varia conforme o anexo e a receita.
Mas, é importante ter atenção, principalmente se o restaurante tiver uma folha de pagamento muito baixa em relação ao faturamento, podendo cair na chamada “tabela cheia” (Anexo V), pagando alíquotas superiores a 15%. Nesse caso, o Simples pode sair mais caro que o Lucro Presumido.
Lucro Presumido
É um modelo em que o lucro da empresa é presumido pelo governo, e os tributos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, ISS, ICMS) são cobrados com base nessa estimativa. Na maioria das vezes, espera-se que restaurantes tenham lucro de 32% do faturamento para fins de IRPJ e CSLL.
Para empresas com faturamento maior e despesas elevadas, o Lucro Presumido pode representar uma economia tributária relevante, especialmente se a margem real de lucro for inferior à presumida.
Lucro Real
Aqui, os impostos são calculados com base no lucro líquido real da empresa. É o regime mais complexo, porém o mais justo para empresas com baixo lucro ou prejuízo operacional, pois permite deduções e compensações.
É o mais indicado para redes ou restaurantes maiores que investem em estrutura, marketing, equipe, e têm alto custo de operação.
Faça um planejamento tributário
Um bom planejamento tributário é essencial para pagar menos impostos sem sair da legalidade. Essa prática consiste em analisar o cenário financeiro e contábil do restaurante para identificar a melhor forma de enquadramento e aproveitamento de benefícios fiscais.
O que considerar em um planejamento:
- regime tributário mais econômico;
- margem de lucro real e presumida;
- composição da folha de pagamento;
- gastos com insumos e fornecedores;
- receita com delivery, bebidas, sobremesas;
- possibilidade de segregação de receitas (ex.: vender refeições e também oferecer eventos);
- incentivos fiscais municipais ou estaduais.
Ter o apoio de uma contabilidade especializada em restaurantes é indispensável nesse processo. Afinal, um contador estratégico pode gerar uma economia de até 30% nos tributos, apenas com enquadramentos corretos.
Otimize sua folha de pagamento
A folha de pagamento representa uma fatia relevante dos custos de um restaurante, e também impacta diretamente nos tributos pagos, especialmente no Simples Nacional.
Restaurantes que investem em equipe qualificada, mas não registram adequadamente os colaboradores, correm sérios riscos de autuação e passivos trabalhistas.
Por outro lado, é possível adotar medidas que reduzam encargos trabalhistas legalmente, como:
- Terceirização de serviços não estratégicos, como limpeza e segurança.
- Adoção de contrato intermitente para garçons e cozinheiros que trabalham apenas em dias específicos.
- Revisão de cargos e salários para evitar pagamentos indevidos de benefícios ou tributos.
- Programas de participação nos lucros, que não incidem em encargos.
- Isenção do INSS para MEIs contratados como prestadores de serviços de apoio.
Controle de estoque e gestão de insumos
É importante compreender que uma má gestão do estoque é um dos maiores vilões na lucratividade e, consequentemente, no pagamento de tributos desnecessários. Realizar compras em excesso, perdas, desperdícios e até furtos podem gerar desvios de mercadoria não registrados, que, mesmo sem gerar receita, são tributados com base na entrada dos insumos.
Utilize sistemas de gestão integrados que acompanhem o movimento de insumos e mercadorias em tempo real.
Isso reduz perdas e permite um melhor controle do CMV – Custo das Mercadorias Vendidas, essencial para tributar corretamente e não pagar a mais no Lucro Real ou Presumido.
Aposte na tecnologia e automação fiscal
Entenda que a tecnologia é uma grande aliada na hora de manter a conformidade com o Fisco e evitar multas. Sendo assim, os sistemas de automação fiscal ajudam a:
- emitir notas fiscais automaticamente (com dados corretos);
- calcular impostos com base no regime correto;
- evitar erros contábeis e retrabalho;
- elaborar relatórios de apuração de impostos, facilitando a conferência;
- integrar dados com o contador em tempo real.
Soluções como ERP para restaurantes, aplicativos e ferramentas de conciliação bancária são importantes para garantir uma gestão eficiente.
Incentivos e isenções locais
Muitos municípios e estados oferecem incentivos fiscais para empresas do setor alimentício que investem em estrutura, contratam localmente ou revitalizam espaços urbanos. Fique atento ao seguinte:
- Redução de ISS para novos empreendimentos.
- Isenção de IPTU para imóveis em zonas específicas.
- Incentivos estaduais de ICMS para delivery.
- Programas de apoio a microempreendedores do setor de alimentos.
Consulte regularmente o site da prefeitura e da Secretaria da Fazenda de seu estado para verificar oportunidades.
Pagar menos impostos não significa sonegar ou fazer manobras arriscadas. O verdadeiro segredo da economia fiscal é a regularização completa da empresa.
Muitos restaurantes operam parcialmente “na informalidade”, o que pode até gerar economia momentânea, mas representa um risco alto em caso de fiscalização.
Manter os cadastros atualizados, emitir notas fiscais corretamente, manter o livro caixa organizado e cumprir todas as obrigações acessórias é o melhor caminho para garantir tranquilidade e uma economia tributária sustentável.
Menos impostos, mais inteligência fiscal
Pagar menos impostos em um restaurante é totalmente possível, e legal, desde que haja estratégia, organização e o apoio de uma contabilidade especializada.
Pequenas ações, como revisar o regime tributário, melhorar o controle de estoque, segregar receitas e investir em tecnologia podem gerar uma grande economia ao longo do ano.
Evite cair na armadilha da informalidade ou em soluções “milagrosas” que prometem cortes drásticos de tributos.
Se você ainda não tem o suporte de um contador que conheça a realidade do setor gastronômico, esse pode ser o momento certo para buscar uma parceria estratégica.
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