Franquias de food service: por que elas crescem rápido demais para caber no Simples Nacional

Franquias de food service têm um apelo quase irresistível para quem quer empreender no setor de alimentação. A marca já vem pronta, o cardápio já vem testado, o layout já vem desenhado, o fornecedor já vem indicado e o discurso comercial costuma ser bem sedutor.

Parece um atalho. E, muitas vezes, é mesmo.

Só que existe uma parte dessa história que quase nunca aparece com destaque na apresentação da franquia: o crescimento tributário.

Porque vender mais é ótimo. Abrir segunda unidade é melhor ainda. Entrar em shopping, praça de alimentação, delivery e dark kitchen pode parecer o sonho virando realidade.

No entanto, quando a rede cresce rápido, o CNPJ pode bater no teto do Simples Nacional antes de o franqueado perceber.

E aí começa aquele momento clássico do empreendedor brasileiro: a empresa fatura mais, mas o dono sente que sobra menos.

Segundo a ABF, o franchising brasileiro atingiu R$ 301,7 bilhões em faturamento em 2025, com avanço nominal de 10,5% sobre 2024. Ou seja, o setor não está parado. Ele está acelerando.

Além disso, a alimentação fora do lar também mostra força. A Abrasel aponta que o setor faturou R$ 495 bilhões em 2025, contra R$ 455 bilhões em 2024, mas com pressão de custos e necessidade de cautela.

Portanto, o problema não é crescer. O problema é crescer sem estrutura tributária, financeira e contábil para acompanhar o ritmo.

O que são franquias de food service?

Franquias de food service são modelos de negócio do setor de alimentação baseados em uma marca franqueadora.

Na prática, entram aqui hamburguerias, cafeterias, pizzarias, sorveterias, restaurantes rápidos, lojas de açaí, franquias de frango, comida saudável, comida japonesa, comida mexicana, sobremesas, empórios, quiosques e operações de delivery.

O franqueado paga para usar a marca, o know-how, os padrões, os fornecedores e os processos da rede.

Em troca, ele ganha velocidade.

E velocidade, no setor de alimentação, vale muito.

Afinal, abrir um restaurante do zero exige construir marca, testar cardápio, validar preço, ajustar operação, encontrar fornecedor, treinar equipe e descobrir o que o público realmente compra.

Já uma franquia entrega boa parte dessa curva pronta.

Por outro lado, ela também traz custos próprios.

Taxa de franquia, royalties, fundo de propaganda, padrões de compra, implantação, reforma, equipamentos e exigências operacionais entram na conta.

Por isso, franquias de food service podem faturar rápido, mas também podem ter margem mais apertada do que parecem.

Por que franquias de food service crescem tão rápido?

O crescimento vem de três fatores principais: marca, padronização e escala.

Primeiro, a marca ajuda a vender antes mesmo de a loja abrir. O cliente já conhece o produto, confia na promessa e entende o posicionamento.

Além disso, a padronização reduz erros. O franqueado recebe manual, treinamento, layout, cardápio, fornecedores e processos.

Por fim, a escala acelera expansão. Uma loja que funciona pode virar duas. Duas podem virar três. E, em alguns casos, o franqueado vira multifranqueado em poucos anos.

A ABF e a GALUNION divulgaram que 84% das franquias de alimentação pesquisadas cresceram em 2024. O levantamento também mostrou que 91% dos respondentes tiveram lucro no ano, com parte relevante superando margens de 10% e 15%.

Parece ótimo, certo?

É ótimo mesmo.

No entanto, crescimento também aumenta complexidade.

Mais faturamento significa mais imposto. E mais unidade significa mais folha. Mais venda significa mais estoque. Mais operação significa mais risco. E mais CNPJ, quando mal planejado, pode virar uma confusão tributária.

Onde entra o Simples Nacional nessa história?

O Simples Nacional é um regime tributário criado para microempresas e empresas de pequeno porte.

Ele simplifica a vida porque reúne vários tributos em uma única guia mensal, o DAS.

Para muitos negócios pequenos, ele faz sentido. Principalmente no início, quando o franqueado ainda está testando a unidade, montando equipe e entendendo o fluxo real da operação.

No entanto, o Simples tem limite.

A Receita Federal informa que, desde 2018, o limite de receita bruta para opção pelo Simples Nacional é de R$ 4,8 milhões no mercado interno, com regras proporcionais para empresas em início de atividade.

Traduzindo para o dia a dia: R$ 4,8 milhões por ano equivalem a uma média de R$ 400 mil por mês.

Agora pense em uma operação de alimentação com bom fluxo.

Uma loja em shopping pode faturar R$ 250 mil por mês. Uma segunda unidade pode colocar o grupo em R$ 500 mil mensais. Em pouco tempo, o franqueado passa a brincar perto do limite anual.

E aqui está a pegadinha: o Simples pode ser simples, mas a saída dele não costuma ser.

Por que o Simples Nacional pode ficar pequeno para franquias de food service?

Porque franquias de food service podem escalar rápido demais.

Um restaurante independente talvez leve anos para construir marca e ganhar tração. Já uma franquia pode nascer com demanda, campanha, reputação e cardápio conhecido.

Além disso, a própria franqueadora costuma incentivar expansão.

Se a primeira unidade performa bem, logo aparece a conversa sobre segunda loja, quiosque, unidade em shopping, dark kitchen ou ponto em outra cidade.

O problema é que o empresário nem sempre projeta a carga tributária depois do crescimento.

Por exemplo: uma franquia que fatura R$ 300 mil por mês parece confortável dentro do Simples. Porém, se ela abre outra unidade e passa a faturar R$ 600 mil por mês, o acumulado anual pode ultrapassar R$ 4,8 milhões.

Nesse momento, o regime muda de conversa.

O franqueado precisa analisar Lucro Presumido, Lucro Real, ICMS, PIS, Cofins, folha, créditos, margem, estoque, NCM, substituição tributária e obrigações acessórias.

Ou seja, sai a guia única. Entra a vida real tributária.

O faturamento sobe, mas o lucro acompanha?

Essa é a pergunta que separa crescimento saudável de crescimento perigoso.

No food service, faturar mais não significa necessariamente ganhar mais.

Afinal, o setor tem custo de mercadoria, embalagem, equipe, aluguel, energia, taxas de cartão, aplicativos, perdas, royalties, marketing, manutenção e impostos.

Além disso, uma franquia pode ter padrões obrigatórios que reduzem liberdade de negociação.

O franqueado talvez precise comprar de fornecedores homologados. Também pode ter obrigação de seguir cardápio, campanha, preço sugerido ou padrão de loja.

Tudo isso ajuda a manter a marca forte.

Porém, também mexe na margem.

A Abrasel mostrou que, entre micro e pequenas empresas de alimentação fora do lar, apenas 41% dos restaurantes registraram lucro em junho de 2025. Entre bares, foram 36%, e entre lanchonetes, 37%.

Portanto, o setor vende muito, mas nem todo mundo lucra.

E quando a franquia sai do Simples sem planejamento, essa distância entre faturamento e lucro pode ficar ainda maior.

O erro clássico: abrir franquia olhando só o DAS

Muitos franqueados entram no negócio perguntando: “quanto vou pagar de imposto no Simples?”.

A pergunta faz sentido, mas é incompleta.

O DAS é apenas uma parte da conta.

A análise precisa considerar a alíquota efetiva, o anexo aplicável, a segregação de receitas, os produtos com tributação diferenciada, o ICMS, os sublimites estaduais, a folha, o delivery e a margem líquida.

Além disso, em operações com mercadorias sujeitas a substituição tributária ou tributação monofásica, a apuração exige cuidado.

Por exemplo: uma loja que vende refrigerantes, cervejas, águas, sorvetes industrializados e produtos de revenda pode ter itens com tratamento tributário diferente.

Se a contabilidade não olha isso de perto, o franqueado pode pagar imposto a mais sem perceber.

E aí nasce aquela frase triste: “minha loja vende bem, mas não vejo dinheiro”.

Franquias de food service e o limite de R$ 4,8 milhões

O limite de R$ 4,8 milhões parece distante quando o empreendedor abre a primeira loja.

Mas ele pode chegar rápido.

Vamos pensar em cenários simples:

Faturamento mensalFaturamento anual aproximadoSituação
R$ 150 milR$ 1,8 milhãoDentro do limite
R$ 250 milR$ 3 milhõesAinda dentro, mas precisa monitorar
R$ 400 milR$ 4,8 milhõesNo teto
R$ 500 milR$ 6 milhõesFora do limite
R$ 800 milR$ 9,6 milhõesPrecisa de estrutura mais robusta

Agora imagine um franqueado com duas lojas.

Cada uma fatura R$ 230 mil por mês. Separadas, parecem pequenas. Juntas, passam de R$ 460 mil mensais.

Em 12 meses, isso dá mais de R$ 5,5 milhões.

Ou seja, o grupo já pode ultrapassar o limite do Simples.

E atenção: dependendo da estrutura societária e da participação dos sócios, a receita global pode entrar na análise. A Receita Federal também aponta vedações relacionadas à participação societária e ao limite global de R$ 4,8 milhões em algumas situações.

Portanto, abrir vários CNPJs sem planejamento não resolve. Às vezes, piora.

O risco de crescer criando CNPJs no improviso

Muita gente tenta resolver crescimento abrindo mais uma empresa.

A lógica parece simples: uma loja em um CNPJ, outra loja em outro CNPJ, cada uma no Simples.

Só que a Receita não olha apenas a fachada.

Ela também observa sócios, participação, administração, receita bruta global e relação entre empresas.

Por isso, dividir operação sem critério pode gerar risco fiscal.

Além disso, o franqueado pode criar um monstro operacional: várias empresas, vários caixas, várias folhas, várias notas, vários controles e nenhuma visão consolidada.

Por exemplo: um grupo com três unidades em CNPJs diferentes pode achar que está tudo organizado. Porém, se o sócio mistura compras, funcionários, fornecedores, transferências e despesas sem critério, a contabilidade vira um quebra-cabeça.

E, nesse jogo, quem perde é o caixa.

Quando franquias de food service devem sair do Simples?

A saída pode acontecer por obrigação ou por estratégia.

A obrigação aparece quando a empresa ultrapassa o limite de receita ou cai em alguma vedação do regime.

Já a estratégia aparece quando outro regime fica mais vantajoso.

Sim, isso acontece.

Nem sempre o Simples é o mais barato.

Em alguns casos, o Lucro Presumido pode fazer sentido. Em outros, o Lucro Real pode ser melhor, principalmente quando a margem é apertada e a operação tem bons controles.

O ponto é que a decisão precisa sair de simulação.

Não dá para trocar de regime porque alguém falou no grupo de franqueados.

Também não dá para continuar no Simples só porque ele parece mais fácil.

O regime ideal precisa considerar faturamento, margem, folha, CMV, royalties, aluguel, delivery, tributação dos produtos, créditos, estoque e plano de expansão.

Lucro Presumido para franquias de alimentação: quando entra no jogo?

O Lucro Presumido pode ser uma alternativa para franquias de food service que cresceram, saíram do Simples e têm margem suficiente para sustentar a presunção de lucro.

Ele costuma ter uma lógica mais previsível do que o Lucro Real.

No entanto, previsível não quer dizer automaticamente barato.

Se a operação tem margem apertada, o Lucro Presumido pode cobrar imposto como se o lucro fosse maior do que realmente é.

Por exemplo: uma franquia fatura R$ 600 mil por mês, mas tem CMV alto, aluguel caro, royalties, fundo de propaganda e folha pesada.

No papel, o faturamento impressiona.

No caixa, a margem pode estar espremida.

Nesse caso, o Lucro Presumido precisa passar por simulação antes da escolha.

Além disso, a operação deve revisar ICMS, PIS, Cofins e segregação correta das receitas.

Lucro Real para franquias de food service: faz sentido?

Pode fazer sentido, mas não para qualquer operação.

O Lucro Real calcula IRPJ e CSLL com base no lucro efetivo, considerando ajustes fiscais. Portanto, ele pode ser interessante quando a margem líquida é baixa ou quando a empresa tem estrutura contábil suficiente para aproveitar a lógica do regime.

No entanto, ele exige controle.

Muito controle.

A empresa precisa ter DRE confiável, conciliação bancária, estoque bem acompanhado, notas lançadas corretamente, custos classificados, documentos organizados e gestão próxima da contabilidade.

Por exemplo: uma rede franqueada com cinco unidades, faturamento alto e margem apertada pode analisar o Lucro Real com seriedade.

Por outro lado, uma loja pequena, com baixa maturidade financeira, pode sofrer com a complexidade do regime.

Em resumo, o Lucro Real pode ser uma boa estratégia quando a operação já joga em outro nível.

Mas sem controle, ele vira dor de cabeça.

CMV: o número que manda na margem

CMV é o Custo da Mercadoria Vendida.

Em food service, ele mostra quanto os insumos pesam sobre o faturamento.

E, em franquia, esse número merece atenção redobrada.

Afinal, o franqueado muitas vezes segue fornecedor homologado, ficha técnica da rede e padrão de produto.

Isso traz consistência. Porém, também reduz flexibilidade para negociar.

Por exemplo: se o CMV ideal da rede é 32%, mas sua unidade opera com 39%, algo está errado.

Pode ser desperdício, porcionamento, compra mal feita, furto, preço desatualizado. Pode ser mix de venda ruim.

E, se o CMV está alto, o regime tributário vira ainda mais sensível.

Uma pequena diferença na alíquota pode comer o lucro que já estava curto.

Royalties e fundo de propaganda também entram na conta

Franquia tem custo de marca.

E esse custo aparece em royalties, fundo de propaganda, taxas de sistema, suporte e, em alguns casos, compras obrigatórias.

Nada disso é necessariamente ruim.

Pelo contrário, esses custos podem ser justamente o que dá força para a operação crescer.

O problema é ignorar esses valores na precificação.

Por exemplo: se a franquia cobra 6% de royalties e 2% de fundo de propaganda, a loja já começa o mês com uma fatia relevante do faturamento comprometida.

Além disso, ainda existem impostos, taxas de cartão, aplicativos, aluguel e equipe.

Portanto, o franqueado precisa conhecer sua margem antes de comemorar o faturamento.

Faturamento é vaidade. Lucro é sobrevivência.

Delivery acelera o crescimento e aperta a margem

O delivery pode ser um motor para franquias de food service.

Ele aumenta alcance, melhora giro e ajuda a ocupar cozinha em horários mais fracos.

No entanto, o delivery também traz comissão, embalagem, taxa promocional, campanha, cancelamento, reentrega, avaliação negativa e maior pressão operacional.

Além disso, aplicativos podem elevar o faturamento bruto sem melhorar o lucro líquido.

Por exemplo: uma loja que vende R$ 120 mil por mês no salão e mais R$ 80 mil no delivery pode achar que cresceu 66%.

Mas se o delivery tem comissão alta, ticket menor e mais custo de embalagem, a margem pode cair.

Nesse caso, o regime tributário precisa considerar a rentabilidade por canal.

Não adianta pagar imposto sobre um crescimento que não sobra no caixa.

Shopping, rua ou dark kitchen: cada formato muda a tributação?

O regime tributário pode ser o mesmo, mas a operação muda totalmente.

Uma loja de shopping tem aluguel, condomínio, fundo de promoção, horário estendido e fluxo mais previsível.

Uma loja de rua pode ter aluguel menor, mas depende mais de marketing local.

Uma dark kitchen reduz vitrine e salão, mas aumenta dependência de delivery.

Um quiosque pode ter operação enxuta, mas ticket menor e limitação de cardápio.

Por isso, franquias de food service precisam analisar regime tributário junto com modelo de operação.

Por exemplo: duas unidades da mesma marca podem ter o mesmo faturamento, mas lucros completamente diferentes.

Uma em shopping pode pagar aluguel alto e vender muito. Outra em rua pode vender menos, mas sobrar mais.

Se a contabilidade olha apenas o faturamento, ela perde o ponto principal.

A armadilha do “já vem tudo pronto”

Franquia vem com muita coisa pronta.

Mas não vem com a sua gestão financeira pronta.

A franqueadora pode entregar manual, treinamento, fornecedores e indicadores médios. No entanto, quem precisa pagar imposto, controlar caixa e manter a unidade viva é o franqueado.

Além disso, cada praça tem uma realidade.

O custo do aluguel muda. O salário médio muda. O preço do delivery muda. O comportamento do consumidor muda. O imposto municipal pode mudar. A concorrência também muda.

Por isso, a loja não pode operar só com base no manual.

Ela precisa ter números próprios.

DRE mensal, fluxo de caixa, controle de estoque, conciliação de cartões, apuração fiscal revisada e planejamento tributário fazem parte do pacote.

Sem isso, o franqueado vira apenas operador de marca.

E operador de marca sem gestão vira refém do volume.

Como simular se a franquia cabe no Simples Nacional

A simulação precisa começar antes da abertura da loja.

O ideal é projetar três cenários: conservador, provável e agressivo.

Em seguida, o franqueado deve calcular faturamento, impostos, royalties, folha, CMV, aluguel, taxas, despesas fixas e lucro esperado.

Veja um exemplo de estrutura:

ItemCenário conservadorCenário provávelCenário agressivo
Faturamento mensalR$ 180 milR$ 280 milR$ 450 mil
Faturamento anualR$ 2,16 milhõesR$ 3,36 milhõesR$ 5,4 milhões
Situação no SimplesDentroDentro, mas exige controleFora do limite
Ação recomendadaMonitorarPlanejar expansãoSimular outro regime

Esse tipo de simulação evita surpresa.

Além disso, ajuda o franqueado a entender quando o crescimento vai exigir outro regime.

A segunda unidade pode ser o ponto de virada

Muitas franquias de food service ficam confortáveis no Simples com uma unidade.

O problema aparece na segunda.

A primeira loja fatura R$ 250 mil. A segunda fatura R$ 220 mil. Juntas, chegam a R$ 470 mil por mês.

Em 12 meses, isso passa de R$ 5,6 milhões.

Ou seja, o franqueado já pode estar fora do limite.

Além disso, ele precisa analisar se os sócios, a administração e a estrutura permitem manter empresas separadas sem risco.

Por isso, a segunda unidade deve vir com planejamento tributário.

Não apenas com empolgação.

Abrir mais uma loja pode ser uma baita conquista. Porém, se o imposto muda e ninguém calculou, a expansão vira susto.

O que monitorar todo mês

Franqueado bom não olha imposto só em janeiro.

Ele acompanha o ano inteiro.

Alguns indicadores precisam entrar no painel mensal:

IndicadorPor que acompanhar
Receita bruta acumulada dos últimos 12 mesesMostra proximidade do limite do Simples
Receita por unidadeAjuda a medir expansão
CMVMostra eficiência da operação
Margem por canalSepara salão, delivery e retirada
Royalties e fundo de propagandaMostram custo real da franquia
Folha sobre faturamentoAjuda a controlar operação
Aluguel sobre faturamentoMede pressão do ponto
Imposto efetivoMostra custo tributário real
Lucro líquidoRevela se o crescimento vale a pena

Além disso, o franqueado precisa acompanhar a classificação fiscal dos produtos.

Em alimentação, um cadastro errado pode gerar pagamento indevido ou risco fiscal.

E, quando a rede tem muitos itens no cardápio, esse trabalho precisa ser constante.

Quando chamar uma contabilidade especializada em food service?

Antes de abrir a franquia.

Não depois.

A contabilidade especializada ajuda a analisar contrato, projeções, regime tributário, CNAEs, natureza jurídica, inscrição estadual, emissão de notas, folha, pró-labore, tributação de produtos e planejamento de expansão.

Além disso, ela ajuda a traduzir o número.

Porque o franqueado não precisa virar contador.

Mas precisa entender se a operação dá dinheiro.

Por exemplo: se a franqueadora mostra uma projeção de faturamento de R$ 300 mil por mês, a contabilidade pode simular quanto sobra depois de impostos, CMV, royalties, aluguel, folha e taxas.

Essa é a diferença entre comprar uma franquia pela emoção e comprar com estratégia.

Como a reforma tributária pode mexer com franquias de food service

A reforma tributária também entra no radar.

Com a criação de novos tributos sobre consumo, como IBS e CBS, empresas de alimentação precisarão acompanhar mudanças na forma de apuração, créditos, preços e relação com fornecedores.

Esse tema ainda exige atenção durante a transição.

No entanto, uma coisa já dá para dizer: quem tem controle vai sofrer menos.

Se a franquia sabe exatamente quanto compra, quanto vende, qual item dá margem, qual canal entrega lucro e qual imposto pesa mais, ela consegue se adaptar melhor.

Por outro lado, quem opera no escuro vai descobrir o impacto só quando a conta chegar.

E, em food service, descobrir tarde custa caro.

Perguntas que todo franqueado deveria fazer antes de crescer

Antes de abrir uma nova unidade, vale responder:

  1. Qual é meu faturamento acumulado nos últimos 12 meses?
  2. Quanto falta para o limite do Simples Nacional?
  3. Minha segunda loja vai me tirar do regime?
  4. Se eu sair do Simples, qual regime faz mais sentido?
  5. Minha margem suporta Lucro Presumido?
  6. Tenho controles para Lucro Real?
  7. Meu CMV está dentro do padrão da rede?
  8. O delivery dá lucro ou só aumenta faturamento?
  9. Os royalties entram corretamente na precificação?
  10. Tenho caixa para pagar impostos fora do Simples?

Essas perguntas parecem chatas.

Mas elas protegem o negócio.

Afinal, franquia não quebra só por falta de venda. Muitas quebram por vender muito sem margem e sem gestão.

Exemplo prático: franquia que cresceu rápido demais

Imagine uma franquia de alimentação que abriu a primeira loja em março.

Nos primeiros meses, ela faturou R$ 180 mil mensais. Depois, com campanhas e delivery, subiu para R$ 280 mil.

O franqueado ficou animado e abriu a segunda unidade no ano seguinte.

A nova loja começou com R$ 220 mil por mês.

Agora o grupo fatura perto de R$ 500 mil mensais.

Em tese, é sucesso.

Mas, na prática, o limite anual do Simples ficou para trás. Além disso, a segunda loja tem aluguel mais alto, equipe maior e delivery mais pesado.

Se ninguém simulou a saída do Simples, o lucro pode cair justamente no momento de maior faturamento.

Esse é o tipo de crescimento que parece bonito no Instagram, mas aperta no extrato bancário.

Exemplo prático: franquia que planejou antes

Agora imagine outra operação.

Antes de abrir a segunda unidade, o franqueado chamou a contabilidade e simulou três cenários.

Ele descobriu que, se a segunda loja performasse bem, o grupo passaria do limite do Simples em poucos meses.

Então, ele ajustou preço, revisou CMV, negociou aluguel, organizou folha, separou centros de custo e simulou Lucro Presumido e Lucro Real.

Além disso, criou um painel mensal para acompanhar faturamento acumulado.

Resultado: a expansão veio com menos susto.

A loja cresceu, mas o dono já sabia o que aconteceria com os impostos.

Esse é o jogo certo.

O Simples Nacional é ruim para franquias?

Não.

O Simples pode ser excelente no começo.

Ele simplifica, reduz burocracia e ajuda o franqueado a operar com mais previsibilidade.

O problema não é o Simples.

O problema é acreditar que ele vai servir para sempre.

Franquias de food service costumam nascer com potencial de escala. E escala exige outro tipo de gestão.

Portanto, o Simples deve ser visto como uma fase, não como destino eterno.

Enquanto a empresa cabe nele, ótimo.

Quando começa a chegar perto do limite, é hora de planejar a próxima etapa.

Checklist para franquias de food service que querem crescer sem susto

Antes de expandir, confira:

EtapaO que fazer
Receita acumuladaAcompanhar os últimos 12 meses
Projeção de expansãoSimular faturamento das novas unidades
Regime tributárioComparar Simples, Presumido e Real
CMVValidar ficha técnica e perdas
DeliveryMedir margem real por canal
RoyaltiesIncluir na precificação
ProdutosRevisar NCM e tributação
FolhaProjetar equipe por unidade
CaixaCriar reserva para impostos
ContabilidadeUsar especialista em food service

Esse checklist não é enfeite.

Ele evita que o crescimento vire um problema caro.

Conclusão: crescer rápido é bom, mas crescer preparado é melhor

Franquias de food service crescem rápido porque carregam marca, processo, padrão e apelo comercial.

Isso é uma vantagem enorme.

No entanto, essa mesma velocidade pode fazer a operação ultrapassar o limite do Simples Nacional antes de o franqueado perceber.

E, quando isso acontece, a empresa precisa estar pronta.

Precisa ter contabilidade especializada, controle de faturamento, CMV bem acompanhado, margem por canal, precificação correta e simulação tributária.

Porque o objetivo não é apenas vender mais.

O objetivo é vender mais, pagar o imposto certo e manter lucro no caixa.

No fim, franquia boa não é aquela que só lota a loja.

É aquela que transforma movimento em margem.

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